CONCEITOS E CONTRIBUIÇÕES DA PALEOCLIMATOLOGIA COM BASE NOS ESTUDOS DE DIFERENTES FATORES
1. INTRODUÇÃO:
“Ao longo da história geológica da Terra, a atmosfera mudou diversas vezes, isto
porque o planeta não é estático, está em constante evolução.” (LABOURIAU, 1994, apud
NUNES et al., 2012, p. 09).
De acordo com o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), 2015,
as observações meteorológicas feitas por meio de instrumentos, de precisão, são muito
recentes, cerca de 100 a 200 anos, dependendo da região. As alterações sofridas pelo clima ao
longo dos anos podem retratar um período de milhares ou até milhões de anos.
Por esta razão paleoclimatologistas em conjunto com arqueólogos, geólogos,
climatologistas, oceanógrafos, entre outros, buscam informações em registros naturais sobre
variabilidade climática encontradas, por exemplo, em anéis de árvores, núcleos de gelo, pólen
fossilizado, sedimentos oceânicos, corais etc.
2. OBJETIVOS:
Esse artigo tem como principal objetivo conceituar paleoclimatologia, contextualizar
os primeiros estudos e as possíveis variáveis que lhe oferecem suporte. São objetivos
secundários analisar as formas como esta ciência se insere no contexto nacional e
internacional, analisando também sua a importância em relação às variações climáticas.
3. METODOLOGIA:
Este artigo baseia-se em bibliografias nacionais e internacionais, além de consultas
nos bancos de dados digitais do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PMBC), o
National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o World Data Center for
Paleoclimatology (WDC Paleo), a National Aeronautics and Space Administration (NASA),
o International Council for Scientific Unions (ICSU) e o Climate Variability and
Predictability (CLIVAR).
4. PALEOCLIMATOLOGIA - CONCEITO:
Segundo Ferreira (2004), paleoclimatologia é o estudo das variações climáticas ao
longo da história da Terra, a partir da análise e interpretação dos vestígios naturais que
descrevem o clima em épocas passadas. De maneira complementar Cuadrat & Pita (1997, cap.
10, p. 395, tradução nossa), entende que paleoclimatologia “é a ciência que se ocupa do
estudo e reconstrução dos climas do passado, tentando identificar as tendências naturais das
mudanças climáticas em um longo período de tempo”.
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A gama de ferramentas utilizadas nos estudos paleoambientais é bem diversa e, em
geral, relacionam fatos e situações a uma cronologia, constituindo-se na base das inferências
paleoclimáticas
4.1. OS DADOS PROXIES:
De acordo com o NOAA (2015), os dados proxies auxiliam na interpretação das
condições climáticas do passado, na medida em que preservam as características do ambiente
ao longo do tempo.
É possível para a Paleoclimatologia definir os eventos climáticos que ocorreram em
períodos compreendidos a milhares de anos e em diversos locais através destes dados proxies,
capazes que são de preservar as características físicas do meio ambiente, permitindo medições
diretas, das gravações naturais das variações climáticas que lhes são impostas. A
multiplicidade desenvolvida é extensa, e isto faz com que as pesquisas e reconstruções
climáticas sejam incessantes.
*Segundo o NOAA (2015), os proxies podem ser encontrados das seguintes maneiras:
Nos corais, que constroem seus esqueletos rígidos a partir de carbonato de cálcio, um
mineral extraído da água do mar. O carbonato contém isótopos de oxigênio, bem como
vestígios de metais, que podem ser usados para determinar a temperatura da água em que o
coral cresceu.
*Nos grãos de pólen e em suas formas distintas, que podem ser utilizados para
identificar o tipo de planta e de onde vieram, visto estarem bem preservados em camadas de
sedimentos no fundo de uma lagoa, lago ou oceano. Analisar cada uma das camadas desses
grãos pode indicar quais os tipos de plantas que estavam crescendo no momento em que o
sedimento foi depositado.
*Localizados nas calotas polares e no alto das montanhas, os núcleos de gelo vem se
acumulando desde a queda de neve, por milênios. Cientistas perfuram camadas profundas
para recolher as amostras. Estes núcleos contem bolhas de poeira, ar, e isótopos de oxigênio,
que podem ser utilizados para interpretar o clima passado.
Já nos sedimentos oceânicos são feitos núcleos de perfuração a partir dos pisos de
bacias. Os sedimentos lacustres incluem minúsculos fósseis e produtos químicos.
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A cada nova descoberta científica é mantida uma base de dados definida pelo NOAA
como o WDC Paleo, sendo a única dedicada a dados paleoclimáticos. Seguindo as diretrizes
padronizadas para arquivamento e distribuição de dados desenvolvidos pelo ICSU, tem como
colaboradores iniciativas de ciência como Climate Change Science Plan, Intergovernmental
Panel on Climate Change Assessment, participantes do CLIVAR e outras pessoas
interessadas.
Contudo, o PMBC (2014, p.130), afirma que, as reconstituições paleoclimáticas
assumem marcante relevância atualmente, em face à necessidade de se atribuir causas às
alterações ocorridas no clima da Terra durante as últimas décadas e, também, a fim de auxiliar
o estabelecimento de cenários climáticos futuros.
4.2. PRIMEIROS ESTUDOS:
Para Holli Riebeek e Robert Simmon (2005), pesquisadores da NASA foi o suíço
Jean Pierre Perraudin (1767-1858) quem primeiro se manifestou sobre a expansão das calotas
glaciais polares. Segundo Perraudin, os glaciais canalizados nos vales dos Alpes suíços
haviam descido e coberto grande parte dos mesmos nos últimos milênios e recuavam
gradualmente para suas posições originais. Em suas observações, deduziu que na descida,
essas “línguas de gelo” arrastaram amontoados de calhaus e blocos de rochas, para as zonas
mais baixas, tornando-se aparentes com o derretimento do gelo.
De acordo com Carvalho (2013) as ideias de Perraudin encontraram muita resistência
inicialmente, até que 1829 Ignace Venetz (1788-1859), também naturalista, confirma as
afirmações de seu conterrâneo, sendo considerado por sua iniciativa o fundador da
glaciologia. Segundo Venetz os calhaus e blocos, tinham invadido as planícies suíças do Jura.
Materiais semelhantes teriam vindo da Escandinávia, atingindo e cobrindo grande parte do
norte da Alemanha e da Polônia. Os grandes blocos erráticos e calhaus ali amontoados,
posteriormente seriam chamados de blocos erráticos e moreias respectivamente.
Figura 2 – Bloco errático
Fonte: CARVALHO, 2013.
Figura 1 – Moreias
Fonte: CARVALHO, 2013.
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